Marx, numa hora destas?

por Emir Sader.

No sábado passado, iniciou-se o III Curso Marx-Engels, promovido pela Boitempo, agora sediado no Sindicato dos Bancários de São Paulo. Como sempre, em pouco tempo – menos de três horas, desta vez – as vagas se esgotaram . Havia dois auditórios cheios, cada um com umas trezentas pessoas, e mais de 1.500 chegaram a acessar a página do curso na internet.

Marx, numa hora destas?

Sim, exatamente porque o capitalismo repõe, reiteradamente, as análises de Marx como atuais. Depois de tratar de identificar capitalismo com progresso, dinamismo, eficácia e bem-estar, a mídia teve – desde a crise atual, iniciada em 2007 – de acoplar outra palavra a ele: crise.

E foi justamente Marx quem há muito tempo fez essa vinculação estrutural entre capitalismo e crise. Porque, mesmo em períodos de crescimento constante do capitalismo, ele se depara com soluços, com crises periódicas.

O próprio Marx tinha reconhecido, no Manifesto Comunista, a capacidade extraordinária do capitalismo para transformar as forças produtivas como nenhum outro sistema havia conseguido. Mas, ao mesmo tempo, destacava sua incapacidade para distribuir renda que pudesse absorver essa produção. O sistema vive periodicamente crises de desequilíbrio entre a produção e o consumo – crises de superprodução ou de subconsumo, o que dá no mesmo.

Ao mesmo tempo, o socialismo, antítese do capitalismo, é constantemente reatualizado como alternativa. Conforme o capitalismo concentra renda, exclui direitos, discrimina, multiplica a violência e a degradação ambiental, ele alimenta a necessidade do socialismo como uma alternativa humanista, solidária.

Em 2008, quando a Boitempo organizou o primeiro curso, a quantidade de gente foi tão grande que tivemos de mudar a abertura para um grande auditório do Anhembi. Eram cerca de mil pessoas, estudantes universitários e militantes, em sua maioria.

A imprensa compareceu em grande quantidade, sem nenhum interesse por Marx naquele momento, mas pelo tipo de gente que poderia se interessar por ele e se deslocar num sábado de manhã para ouvir uma exposição sobre A ideologia alemã. Encontraram jovens, muitos, interessados no marxismo, nas formas alternativas de interpretação da realidade.

O curso atual vai pelo mesmo caminho e seguirá aos sábados, de manha e à tarde, com transmissão pela internet.

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A nova toupeira: os caminhos da esquerda latino-americana é o primeiro livro de Emir Sader pela Boitempo a ganhar versão eletrônica (ebook), já à venda por apenas R$20 na Gato Sabido, Livraria da Travessa e iba, dentre outras.

As armas da crítica: antologia do pensamento de esquerda, organizado por Emir Sader e Ivana Jinkings, já está disponível por apenas R$18 na Gato Sabido, Livraria da Travessa, iba e muitas outras!

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Emir Sader nasceu em São Paulo, em 1943. Formado em Filosofia pela Universidade de São Paulo, é cientista político e professor da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH-USP). É secretário-executivo do Conselho Latino-Americano de Ciências Sociais (Clacso) e coordenador-geral do Laboratório de Políticas Públicas da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj). Coordena a coleção Pauliceia, publicada pela Boitempo, e organizou ao lado de Ivana Jinkings, Carlos Eduardo Martins e Rodrigo Nobile a Latinoamericana – enciclopédia contemporânea da América Latina e do Caribe (São Paulo, Boitempo, 2006), vencedora do 49º Prêmio Jabuti, na categoria Livro de não-ficção do ano. Colabora para o Blog da Boitempo quinzenalmente, às quartas.

5 Respostas para “Marx, numa hora destas?

  1. a transmissão do curso é apenas ao vivo? ou está disponível de modo gravado em algum lugar? grato!

    • boitempoeditorial

      A transmissão é ao vivo mas o Curso também está sendo gravado e será posteriormente publicado em nosso canal no YouTube, em alta definição!

  2. Existem mais marxistas nas universidades brasileiras do que em toda china! kkkkkkkk Alienados nessa quantidade, só aqui msm!

  3. Se ser marxista virou ser alienado, eu quero ser alienado.

  4. De uma certa maneira, todos nós somos alienados. Não por sermos ou não sermos marxistas, mas por existirmos em um modo de vida que precisa cotidianamente dela para manter os seus grilhões. A alienação não é um estado de espírito é uma situação concreta, redutível ao metabolismo do capital. E somente o marxismo tem a chave eurística para sairmos desta situação, gostemos ou não. O senhor Gilmar, com certeza, vai descobrir isso, na medida em que o mesmo for se aproximando das referências teóricas no plano do materialismo histórico e dialético. Só o fato dele acessar o site da BOITEMPO, mesmo para nos provocar saudavelmente, já demonstra sua preocupação com a luta para uma outra forma de organização sócio-histórica.

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